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1984

Como as pessoas perdem sua liberdade em busca de segurança.

Como as pessoas perdem sua liberdade em busca de segurança.

 

Venho dialogar sobre um livro atemporal. 1984 desde seu lançamento em 1949 vem causando grande repercussão e dando o que falar. Quem leu este livro não deixa  de se sentir como uma pequena pecinha , substituível em uma grande indústria. O romance é ambientado em uma província do superstado da Oceania, em um mundo de guerra perpétua. Vigilância governamental onipresente e manipulação pública e histórica. Todos que vivem neste regime são ditados por um estado politico totalitário rigoroso. Já pensou em ser impedido de pensar? É disso que se trata a narrativa. A simples libido sexual é motivo para você ser vaporizado..

George Orwell, foi um escritor, jornalista e ensaísta político inglês, nascido na Índia Britânica. Sua obra é marcada por uma inteligência perspicaz e bem-humorada, uma consciência profunda das injustiças sociais, uma intensa oposição ao totalitarismo e uma paixão pela clareza da escrita. O autor criou um idioma para seu universo cheio de ódio. Intitulada de Novafala. Criada pelo regime não para formular um novo idioma, mas para a remoção e condensação retirar alguns sentidos, com objetivo de impedir a atividade do pensamento. Outro livro de grande sucesso do autor: A revolução dos bichos.

1984  –  Filme (Atualmente disponível na Amazon – Prime Vídeo).

Produzido em 1984 e dirigido por Michael Radford. É uma adaptação do famoso livro 1984, escrito em 1949 por George Orwell e considerada uma versão mais fiel à obra.

Depois da guerra atômica, o mundo foi dividido em três estados e Londres é a capital da Oceania, dominada por um partido que tem total controle sobre todos os cidadãos. Winston Smith é um humilde funcionário do partido e comete o atrevimento de se apaixonar por Julia, numa sociedade totalitária onde as emoções são consideradas ilegais. Eles tentam escapar dos olhos e dos ouvidos do Grande irmão, sabendo das dificuldades que teriam que enfrentar.

        A bandeira do Partido na adaptação cinematográfica de 1984 do livro. As bandeiras do partido são mencionadas, mas nunca descritas no romance atual.

1984 –  O famoso livro.

Antes de tudo precisamos entender alguns conceitos presente em toda narrativa. O grande Irmão, Novafala e Teletelas, então vamos lá:

O Grande irmão:

Líder do partido, ditador no qual todos devem depositar seu amor e adoração. Ninguém nunca o viu em pessoa. O grande irmão busca o poder, pelo poder e nada além do poder. A todo momento, nos diálogos e passagens de cenários. Não deixamos de perceber a semelhança com Hitler e Stalin. Ele é a personificação imaginaria e real do partido na mente de cada individuo. O grande líder, que nunca erra e sempre acerta. Guiando seu povo rumo a gloria.

“Poder é infligir dor e humilhação. Poder é estraçalhar a mente humana e depois juntar outra vez os pedaços, dando-lhes a forma que você quiser.”

Teletelas:

As teletelas é o mecanismo pelo qual o partido monitoras as pessoas. Uma espécie de câmera de vigilância 24horas por dia e televisão, transmitindo tudo que a liderança quer. As pessoas são obrigadas a ver. Como, por exemplo o dia do ódio. Estão em todo canto.

“A massa mantém a marca, a marca mantém a mídia e a mídia controla a massa.”

Novafala: 

Como já foi mencionado a Novafala foi criada para suprir qualquer pensamento contra o regime. O lema do Partido único: “Guerra é paz. Liberdade é escravidão. Ignorância é força”.

Já pensou um idioma no qual não existe palavra que represente uma critica? Ou o simples fato de pensar?

“O pensamento-crime não acarreta a morte: o pensamento-crime é a morte.”

Dito tudo isso vamos falar sobre o livro. Como as pessoas perdem sua liberdade em busca de segurança.

Cartaz promocional do filme ‘1984’ com a mensagem “O Grande Irmão está te vigiando” (1956)ALAMY (CORDON PRESS)

Orwell não é um profeta do desastre. Ele deseja nos despertar. O perigo de uma sociedade de autômatos que terão perdido todos os traços de individualidade, amor e pensamento crítico, e ainda não são capazes de perceber em decorrência do “duplipensamento”. Pois entregaram tudo em nome da segurança. O livro não se refere apenas as barbáries stalinistas e chinesas. Mas, a todos nós. Toda sociedade industrializada e armada. O duplipensamento como algo que o ser humano dentro do livro pensa. Aceitando duas ideologias contraditórias ao mesmo tempo e amando. 2+2 =5. Uma comparação é um estado comunista falar em democracia. Ou um estado democrático falar em princípios socialistas. Também os que gritam fascistas quando cometem atos fascistas.

Porque, afinal de contas, como fazer para saber que dois e dois são quatro? Ou que a força da gravidade funciona? Ou que o passado é imutável? Se tanto o passado como o mundo externo existem apenas na mente, e se a própria mente é controlável – Como saber então?” Livro pesado! Cada linha lida me causou um desespero. Ler ele é viver na pele o que é viver um regime totalitário. Se quer saber como era viver na Alemanha nazista ou ainda hoje, Coreia do Norte e até elementos da China. Um líder supremo, alterações da História passada, culto à uma personalidade. As pessoas vigiadas, evaporam como água quando pensam diferente. Durante a leitura, parei a todo momento para refletir o quanto nossa liberdade é preciosa. Como eu disse, no nosso presente, existem um tanto de 1984 no Globo. Basta ter olhos para identificar…

Fato é, hoje vivemos uma distopia de 1984. Praticamos quase os elementos existentes no livro. Outro exemplo é o dia do ódio presente no livro. Uma dia para descarregar ódio coletivo contra um indivíduo chamado Goldstein. A média (teletela) fala os supostos crime do personagem. Inspirando todos a odiar, blasfemar e etc. Deixando carta livre para tudo contra aquele indivíduo. Fazendo as pessoas jogar para fora seu lado mais brutal que habita em cada um de nós. Levando isso para nossa realidade. Basta, nossa mídia falar um suposto crime para um grande grupo odiar assim como presente no dia do ódio de 1984. Realmente precisamos rever nossos conceitos e pensar ainda enquanto podemos em que tipo de sociedade queremos para viver. Não podemos nos deixar influenciar e entregar nossa liberdade que é o bem mais precioso por segurança. Nunca devemos confiar em governantes, estado ou indivíduo. Devemos dar valor nas nossas diferenças e não no coletivismo de modo geral, criar uma sociedade como todos iguais, pensando igual e agindo por iguais. Lembrando que qualquer forma de radicalização é errado e deve ser combatido. Fecho esse livro com um sentimento de medo do nosso futuro. Vejo muitos 1984 contemporâneo, faltando uma fagulha para o futuro de Orwell acontecer.

Digo uma vez mais que o livro não é profecia. Mas, sim um alerta. Não devemos dar ouvido a vozes que não merecem atenção só porque temos medo. O grande irmão não é amigo, não é irmão. Busca somente o poder pelo poder, nada além de poder. Discurso de líderes com exaltação pelas suas funções que são esperadas pelo cargo que ocupa, devemos ficar com um pé atrás. Por fim, quem não leu, leia.”

Algumas frases marcantes que nos proporciona grande reflexão.

“Enquanto eles não se conscientizarem, não serão rebeldes autênticos e, enquanto não se rebelarem, não têm como se conscientizar.”

“Porque se lazer e segurança fossem desfrutados por todos igualmente, a grande massa de seres humanos que costuma ser embrutecida pela pobreza se alfabetizaria e aprenderia a pensar por si; e depois que isso acontecesse, mais cedo ou mais tarde essa massa se daria conta de que a minoria privilegiada não tinha função nenhuma e acabaria com ela.”

“Os melhores livros, compreendeu, são aqueles que lhe dizem o que você já sabe.”

 

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Kleber Inácio

Kleber Inácio Da Silva é Historiador. Com especialização em História e Cultura afro-brasileira. Desde muito novo é apaixonado por literatura, lendo e dedicando muito tempo para esta paixão. O que o levou a realizar a sua formação acadêmica. Se considera um entusiasta na arte das letras. Atualmente com duas obras literárias publicadas. "O outro - Várias faces de uma mente. " Novo Gênesis o sinal. Possuí artigos científicos publicados em livros e revistas. ( Educação Brasil, Ciranda de saberes e Anpuh) Organizador e editor do livro: Morrinhos Cidade dos pomares e seus valores. Planejando vários outros ensaios futuros para realização de um sonho que carrega desde muito novo. Escrever obras de cada gênero que o estima. Nasceu em 24 de novembro de 1991. Contudo, é uma pessoa simples, residente da cidade de Morrinhos, do interior de Goiás, é apaixonado por sua terra e contempla seus aspectos culturais locais. É um amante de felinos.

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