Animes & HQs

O uso dos HQ’s como material pedagógico

As historias em quadrinhos e seu uso como documento histórico

QUADRINHOLOGIA HISTÓRICA

INTRODUÇÃO DAS HISTORIAS EM QUADRINHOS COMO DOCUMENTO HISTÓRICOS

SOUZA, Ritaly Moreira de

 

RESUMO

O presente artigo objetiva mostrar novos caminhos para o ensino da história em sala de aula, e tem como fonte de inspiração uma cultura que vem crescendo cada vez mais entre os nossos alunos, a cultura pop, está, que engloba todo o universo tido como geek; os games, séries, histórias em quadrinhos e filmes. Abordarei mais especificamente as historias em quadrinhos e seu uso como documentos históricos e sua utilização em sala de aula. As Histórias em Quadrinhos, ou simplesmente HQs, normalmente estão associadas à narração, apresentando texto e imagem que estabelecem uma ideia de complementaridade. A primeira história em quadrinhos de que se tem notícias no mundo foi criada pelo artista americano Richard Outcault, em 1895. Estes que possuem um vasto acervo de enredos baseados nos grandes acontecimentos da humanidade, tendo como um dos muitos exemplos o Capitão América, que tem sua historia contada no decorrer da Segunda Guerra Mundial, tendo que lutar contra as criações hediondas de Hitler, ou seja é muito material, e não só isso, é instigante e lúdico.

Palavras-chave: História em quadrinhos. Cultura pop. Documentos.

 

1 INTRODUÇÃO

O presente trabalho de conclusão de curso vem destacar o uso das historias em quadrinhos como documento histórico e um meio divertido e atrativo para o desenvolvimento do estudo histórico em sala de aula. Tema este que vem aparecendo  e se destacando no meio pedagógico, já que pode ser trabalhado em diversas disciplinas além de história.

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Qual foi a primeira revista em quadrinho? Quem foi o primeiro Super-herói?

Essas perguntas podem ter diferentes respostas. Depende. Na verdade elas ajudam a responder diversas outras coisas. Muita gente, quando pensa em revista em quadrinhos ou cultura pop, acham que são coisas bobas, ou apenas diversão, mas, no entanto, da para se aprender muita coisa sobre a história humana a partir dos seus Super-heróis.

O ser humano tem uma característica essencial para o próprio estudo da história, que é o fato de gostar de contar e relatar sua vida, de partilhar acontecimentos ou imortalizar suas façanhas, e antes de fazer isso com símbolos, ou seja, a escrita. O homem fazia desenhos. Algumas pinturas rupestres, representações artísticas em rochas, assim como em cavernas, possuem cerca de 35 mil anos de idade, incluindo cenas de caças, a até mesmo um simples desenho de uma mão. Com o tempo a representação em figuras ficou cada vez mais elaborada e passou a ser ainda mais narrativas, não apenas mostrar um evento, mas explicar uma sequencia de acontecimentos. Temos exemplos de varias épocas, locais e culturas como: a egípcia Paleta de Narmer com cerca de cinco mil (5000) anos de idade, que mostra a unificação do Egito Antigo; os relevos de Palácios Assírios, de cerca de três mil (3000) anos atrás, representando caçadas e conquistas; os vasos gregos ornamentados tanto com atividades cotidianas, quanto com feitos épicos; os trinta (30) metros e mais de mil (1000) toneladas da coluna de Trajano, do século II, que relata com imagens a conquista romana da Dacia; a tapeçaria de Bayeux do século XI contando a conquista Normanda na Inglaterra; o estilo japonês de contar historia visualmente que remonta o século XVI e é praticado até hoje. Todos esses exemplos usam imagens para contar uma narrativa, informar você de uma mensagem.

O famoso quadrinista Will Eisner conceitua isso como arte sequencial. O homem e a sua cultura, desde a antiguidade, também trata de temas como; sobrenatural, a existência, a morte, o divino, modelos de comportamento ou éticos, lições e metáforas para a vida, exemplos das respostas para estes temas são as religiões, mitos e as lendas. Grandes heróis ou seres cuja saga servirão de modelo para as pessoas comuns.

Gilgamesh, na Mesopotâmia, um rei que protagoniza um épico de aventuras com os deuses, talvez tenha sido o primeiro grande herói em narrativas, cerca de quatro mil (4000) anos atrás, Sansão, Hércules, Aquiles, Ulisses, Rama, dentre vários outros, são amostras da figura do grande herói na cultura da antiguidade, com capacidade super-humana e itens mágicos, mas que sofrem das fraquezas humanas, ainda mais dramáticas, já que protagonizadas por seres poderosos.

Somando o relato e a narrativa por imagens, com as questões religiosas, mitológicas, teremos os templos Hindus do século X, no Camboja, que descreve as lutas entre os deuses, ou teto da capela Sistina, de Michelangelo, que retrata o Gênesis bíblico. A origem dos quadrinhos de super-heróis está então ligada a questões milenares, os quadrinhos são o desdobramento moderno dessas demonstrações culturais, possibilitados por mudanças tecnológicas e sociais no século XIX, com a revolução industrial, foram desenvolvidas as primeiras prensas de impressão a vapor, em 1810, que permitiu então imprimir em maior número e quantidade em menos tempo. Na década de 1840, foi descoberta a impressão em polpa de celulose, tornando os impressos mais baratos e mais acessíveis e o estabelecimento e expansão dos sistemas públicos de ensino, que diminui drasticamente o analfabetismo, aumentando o número de leitores, e também no século XIX, com o Romantismo e outros movimentos literários, a produção de obras épicas, protagonizados por heróis e vilões, misturando realidade e fantasia, torna-se bastante popular e será justo neste século que surge às tirinhas e quadrinhos, normalmente publicados em jornais, a primeira delas sendo publicada no ano de 1826. Normalmente os desenhos eram de sátira ou critica a questões cotidianas ou políticas. O Brasil iniciou no ramo ao mesmo tempo, com o artista Manoel de Araújo Porto-Alegre, produzindo a primeira sátira e a primeira revista ilustrada de humor no Brasil. Historias contada por quadrinhos e ilustrações impressos em massa, tornam-se populares pelo mundo e também ocorrem inicio da impressão em cores.

Na virada para o século XX, os folhetins e revistas populares, impressos com papel jornal, serão muito consumidos. Esses folhetins eram chamados de Pulp Fiction, referencia a polpa da celulose. Tarzan, Zorro, Buck Rogers, Conan e o Sombra, surgi nesse meio, assim como varias convenções típicas do gênero, como a identidade secreta. Outro personagem desta época é o Marinheiro Popeye, que virou animação.

Com a grande depressão após a crise de 1929, surge a necessidade de formas de entretenimento ainda mais acessíveis (especialmente para crianças), além  da necessidade de um clima otimista nas obras, com isso, juntam-se quadrinhos desenhados, e os personagem heroicos com habilidades e poderes super-humanos, e em 1934 é publicado pela primeira vez o personagem Mandrake, em 1936 nasci o Fantasma, e em 1938 é publicada a primeira Action Comics, com um novo personagem na capa, o Super-Homem, cujo o nome explicita o novo gênero. Ele usava cueca por ciam da calça por dois motivos; inspiração nos atletas de força e de luta livre populares na primeira metade do século XX nos Estados Unidos e para ajudar a desenhar e no ano seguinte surge o Batman nas revistas Detective Comics.

A Segunda Guerra Mundial vai dar um grande impulso para o gênero, o papel fica mais caro, prejudicando os competidores dos quadrinhos, fazendo com que a demanda por historias, heróis e vilões no cenário da guerra aumentam,  exemplos disso são os personagens Capitão América e a Mulher Maravilha, ambos de 1941, assim como o vilão Caveira Vermelha. O período de 1938 até meados da década de 1950 é chamado de “Era de ouro” dos quadrinhos, desde então, podemos fazer diversos paralelos entre os HQ’s e a sociedade. Os desdobramentos científicos de cada época, influenciarão e modificam os personagens.

Em 1962, Peter Parker é mordido por uma aranha radioativa e torna-se o Homem-Aranha, em 2002, a origem é trocada para uma aranha geneticamente modificada, conceito que não existia antes, assim como o efeito da radiação já são mais conhecidos no século XXI. A Guerra Fria inspirou a revisão de diversos heróis e a criação de vilões de origem soviética, como a Viúva Negra e o Dínomo Vermelho, além do senário de diversas aventuras. Nos anos 1970 e 1980, o pessimismo com questões econômicas e o medo de uma guerra no clear, somam-se a existência da primeira geração de adultos que cresceram consumindo quadrinhos, propiciando uma guinada para temas adultos, como Watchmen e Cavaleiro das trevas e principalmente os super-heróis terão funções similares a dos heróis mitológicos, abordando os mesmos temas filosóficos e servindo como exemplo de comportamento ou de esperança. Temas como preconceito, puberdade, ética e morte, são tão presente nos quadrinhos, quanto nos épicos ou nas esculturas da antiguidade.

Nos últimos 80 anos, os quadrinhos de super-heróis um importante e acessível forma de arte e de cultura e que remonta a tradições milenares.

 

2 A HISTÓRIA EM QUADRINHO E DOCUMENTO HISTORICO

2.1 Documento Histórico

Por documento histórico entende-se toda fonte, seja ela escrita, material, audiovisual e/ou oral.

Pode se constituir desde documentos produzidos por governos ou entidades e até mesmo escolas (públicas e privadas), até mesmo objetos como utensílios, indumentárias, imagens, textos de qualquer natureza, pinturas, esculturas, canções, construções etc. Desde que esses registros possam responder ao problema criado pelo historiador num determinado tempo e espaço.

 

2.2 A linguagem quadrinística

 

As raízes do que viríamos a batizar, modernamente, de histórias em quadrinhos surgem ainda nas primitivas pinturas rupestres feitas por nossos ancestrais no interior de cavernas. Um interesse quase místico de “aprisionar” animais por meio de um desenho na rocha pareceu atrativo em um dado momento de nossa evolução, os rumos que tais adornos de traços, muitas vezes criados a partir do carvão de fogueiras, sangue, lama e tantos outros materiais presentes na natureza, despertaram uma consciência inventiva na mente humana. Contar histórias por meio de desenhos foi a primeira forma de externalizar uma memória, através de uma imagem do cotidiano ou mesmo um sonho. A evolução das representações pictóricas seguiu do período pré-histórico, chegando até a Idade Média com as tapeçarias que traziam diferentes gravuras de cenas do cotidiano, e até con/ itos militares de diferentes povos. No século XX, muitos artistas produziam imagens sacras no interior de igrejas, formando quadros onde o texto 2 cava fora da ação. Os caminhos percorridos pela arte sequencial até a atualidade são Histórias em quadrinhos como fonte de pesquisa: uma análise sócio-histórica acerca do graphic novel “Batman: a piada mortal”

Em muitos aspectos a tragédia social que atinge a vida do comediante fracassado acaba recriando sua personalidade, o parque de horrores que é assistido pelo comissário não passa de uma tentativa de mostrar um pouco da sua tragédia pessoal. A violência existente nesta parte da história nos transporta para um pesadelo pessoal, assistido, no qual um ente querido tem as vestes arrancadas enquanto agoniza de dor. Essa violência assistida foi alvo de muitas críticas por parte de leitores especializados em todo o mundo, mas o autor tentou traduzir o universo de sombras do Coringa, com o propósito de nos permitir compreender os males que o afetaram para sempre o homem comum que perde tudo, inclusive sua sanidade.

Senhoras e senhores! Vocês já o conhecem pelas manchetes dos jornais! Agora, tremam ao ver com seus próprios olhos o mais raro e trágico dos mistérios da natureza! Apresento…

O-HO-MEM CO-MUM. Fisicamente ridículo ele possui, por outro lado uma deturpada visão de valores. É mesmo de dar náuseas, não? Observem o seu repugnante senso de humanidade, a disforme consciência social e o asqueroso otimismo. O mais repulsivo de tudo são suas frágeis e inúteis noções de ordem e sanidade, se for submetido a muita pressão… Então, como ele faz pra viver? Como esse pobre e patético espécime sobrevive

 

2.3 Historia em quadrinho como documento histórico

 

O despertar para os quadrinhos surgiu inicialmente no ambiente cultural europeu, sendo depois ampliado para outras regiões do mundo. Aos poucos, o “redescobrimento” das HQs fez com que muitas das barreiras ou acusações contra elas fossem derrubadas e anuladas. De certa maneira, entendeu-se que grande parte da resistência que existia em relação a elas, principalmente por parte de pais e educadores, era desprovida de fundamento, sustentada muito mais em afirmações preconceituosas em relação a um meio sobre o qual, na realidade, se tinha muito pouco conhecimento.

 

Mediante uma análise interligada ao conceito de representação de 2 nido por Roger Chartier, que fornece uma caracterização de mundo social:

A noção de “representação colectiva”, entendida no sentido que lhe atribuíam, permite, conciliar as imagens mentais claras — aquilo que Lucien Febvre designava por «os materiais de ideias» — com os esquemas interiorizados, as categorias incorporadas, que as gerem e estruturam. Aquela noção obriga igualmente a remeter a modelação destes esquemas e categorias, não para processos psicológicos, sejam eles singulares ou partilhados, mas para as próprias divisões do mundo social. (CHARTIER, 2002, p. 19)

 

Os processos de ensino e de aprendizagem exigem do professor o domínio de vários saberes disciplinares, pedagógicos, culturais, sociais, dentre outros, que juntos aos saberes prévios dos alunos, conduzem à construção do saber ou conhecimento histórico escolar. Esses processos não se realizam apenas com os conhecimentos baseados no senso comum dos alunos ou, na mera reprodução dos conteúdos históricos produzidos no meio acadêmico, é preciso que o professor realize a mediação didática para que ocorra aprendizagem do processo histórico pelos alunos.

 

As historias em quadrinhos tem muito que nos oferecer em relação a períodos históricos, sem falar que ao se falar sobre tais em sala de aula, ver-se o brilho nos olhos dos alunos quando se fala em seus super-heróis, quando se mostra a eles o envolvimento fictício dos mesmos nos eventos históricos.

Destaco que as histórias em quadrinhos foram aceitas serodiamente no meio acadêmico, estas já foram acusadas de serem degradantes, marginais e menores, enquanto gênero artístico. No começo do século XX, levar quadrinhos para a sala de aula era algo inadmissível, ao passo que a academia não entendia neles uma fonte possível de estudo e a sociedade vislumbrava uma influência nociva à infância e à juventude. Hoje, as histórias em quadrinhos ganham destaque pela linguagem composta por imagem e escrita e pela sua construção polifônica, tal qual a literatura. Na historiografia, a renovação da história social e as reflexões propostas na década de 1960 foram fundamentais para o reconhecimento dos quadrinhos enquanto importante fonte para vasculhar a cultura como um tecido orgânico, de forma que não se estabeleçam regras engessadas.

No campo da história, ainda pouco se produz tendo o quadrinho como fonte, por isso a comparação teórico-metodológica frequente com a literatura e outros estudos que partem de outras linguagens artísticas. Sendo assim, irei propor um exercício a partir dessas leituras tentando buscar semelhanças e peculiaridades nas histórias em quadrinhos.

Considero também, pensar as histórias em quadrinhos como representações de uma realidade, circunscrita em um passado. Neste sentido, representação não pode ser o sinônimo de espelho, mas deve ser encarada como parte daquela realidade, que a compunha, construía e a transformava. Pesavento define representação como “sensibilidades sobre o mundo que as engendrou”[9]. Essa definição de representação pressupõe que cultura não é algo estático, e considera a existência de um processo coletivo de construção, inclusive gerando e mantendo diferenças e desigualdades. A categoria cultura é muito importante para a história social, e abre a ela um campo de possibilidades. Na minha pesquisa, a cultura não será pensada como elemento exterior a sociedade, para simplesmente completar qualquer ordem social, ela é elemento constitutivo dessa ordem, e deve ser investigada como um sistema de significações. A cultura não é modo de vida, é processo que cria diferentes e específicos modos de vida, um campo no qual a sociedade, os indivíduos participam, elaborando seus símbolos e signos, suas práticas e seus valores. Segundo Chartier, para entender as relações que os indivíduos e os grupos mantém com o mundo social é preciso pensar como se dá a construção de suas representações.

 

en primer lugar, las operaciones de clasificación y designación mediante las cuales un poder, un grupo o un individuo percibe, se representa y representa el mundo social; a continuación, las prácticas y los signos que apuntan a hacer reconocer una identidad social, a exhibir una manera propia de ser en el mundo, a significar simbólicamente un estatus, un rango, una condición; y, por último, las formas institucionalizadas por las cuales unos «representantes» (individuos singulares o instancias colectivas) encarnan de manera visible y durable, «presentifican», la coherencia de una comunidad.[10]

 

Os quadrinhos podem aparecer em vários formatos, com ou sem escrita, com narrador ou apenas diálogos entre personagens, esses podem ser criados para apenas uma história ou para uma série delas. Ainda os personagens podem ser caricaturas de algum sujeito conhecido, da política, ou dos meios de comunicação e entretenimento. Diante de tanta diversidade, podemos dizer que os quadrinhos aparecem basicamente em três formatos. As charges, as tiras e a grafic novels. Interessam-me, em especial, as produções de charges e tiras cômicas.

A charge, apesar de ter características da tira cômica, dela se diferencia por sua estrutura e abordagem. Segundo Paulo Ramos, a distinção básica entre elas é que “a charge aborda temas do noticiário e trabalha em geral com figuras reais representadas de forma caricata, como os políticos; a tira mostra personagens fictícios, em situações igualmente fictícias” . Essas definições podem variar um pouco de autor para autor, a escolha da definição de Paulo Ramos me pareceu mais adequada as análise das charges e tiras de Angeli, que é o objeto da minha pesquisa.

Segundo o site EducarBrasil :

Analisando com o olhar crítico do historiador, um documento que pode muito bem se tornar fonte histórica, são as chamadas histórias em quadrinhos. Presentes nos dia de hoje, os quadrinhos são uma manifestação da cultura industrial que, em suas histórias, retratam a essência da sociedade urbana à qual nós pertencemos, sempre fazendo menções aos acontecimentos do cotidiano e outros recentes. Um bom exemplo disso é a aparição do presidente eleito Barack Obama em diversos títulos conhecidos do mundo dos quadrinhos, na época em que foi nomeado presidente dos Estados Unidos, como Homem-Aranha, Batman, O Cavaleiro das Trevas e também no mundialmente conhecido Superman, sendo que o objetivo de suas aparições variava entre críticas, elogios ou simples citações.

Outro estudo de cunho histórico tendo como base analítica de sociedade a HQ é o artigo “Representações femininas nas histórias em quadrinhos da EBAL” publicado na revista historia e imagem nº10 abril de 2010. Pela especialista em história em quadrinhos Natania A.

Silva Nogueira que desenvolve uma análise na questão do gênero feminino nas HQs da referida editora no período dos anos 50 e 70. Sem desmerecer o titulo do artigo, que para um leitor familiarizado com as HQs, ficaria estranho, já que a EBAL é uma editora brasileira que simplesmente reproduzia, em terras tupiniquins, as HQs estadunidenses. As autoras fizeram um ótimo trabalho analítico de como as revistas, ou melhor, seus roteiristas viam a mulher na sociedade no período de criação dessas histórias em quadrinhos, por mais que esta visão seja a visão americana ela também visível no Brasil ao período referido no artigo. Assim, as autoras demonstram como era a visão quanto às mulheres no momento referido entre os anos 50 e 70, então diz Nogueira: As super-heroínas das revistas analisadas estão sempre inseguras quanto a si mesmas, sempre se comparando com os homens e sempre dependentes deles de alguma forma. Elas precisam da sua aprovação, como é o caso da Super-Moça e da Batmoça (Mulher Morcego) e quando demonstram algum desejo de igualdade, ele é ridicularizado por meio de atitudes infantis e carade choro que só servem para fragilizar ainda mais a personagem nas HQs. (NOGUEIRA, 2010,p 11, 12). Ela continua quando diz: Esta era o modelo feminino representado nos quadrinhos. A boa moça, heroína, mesmo quando representada pelo modelo super-mulher – caracterizado pela beleza física, o erotismo e o amazonismo -, estava sempre sujeita a fraquezas associadas aos papéis femininos de gênero, tais como a vaidade, a preocupação com a aparência, a insegurança e uma dependência quase patológica de um homem que a salve nos momentos mais difíceis. (NOGUEIRA, 2010, p12,13).Com esses três trabalhos apresentados acima, fica notório que a história em quadrinhos possa ser observada como objeto histórico.

Porem ha mais alguns trabalhos acadêmicos no campo da história focado nas HQs que merecem ser mencionados nesta monografia. São eles: o artigo “V de Vingança a HQ e o filme: Contribuições para uma visão de Terrorismo”. Publicado na revista eletrônica Contemporâneos no ano de 2008 pelos autores Edo Galvão Pitasse Fragoso e Vinicius de Paula Marcontes vinculados ao departamento de Artes e Humanidades – UFV este artigo se propõe a compreender como são pensadas as questões terroristas, que tanto influenciam as decisões mundiais nos dias de hoje (Fragoso, Marcondes.  2008, p 2); o artigo “O Universo Feminino nas Histórias em Quadrinho”. Publicado na revista eletrônica História, imagem e narrativa no ano de 2010 pela autora Aline Martins do Santos, Mestre em História Social pela UFF. Deste modo, Santos, no resumo do referido artigo diz o que pretende trabalhar em seu texto: Situar a presença feminina no universo das HQ’s, fazendo uma breve análise de seus principais papéis: as garotas, as namoradas, as mães da década de 1940-50, as vilãs, as musas, as heroínas, passando pelas guerreiras modernas surgidas a partir da década de 1960, acompanhando de perto o movimento feminista e as transformações da sociedade, e chegando nas “descoladas” das décadas de 1970-80. Buscaremos entender como se deu a mudança de pensamento da sociedade sobre a questão da mulher (SANTOS 2010, p.1).Também há o artigo, “Capitão América: as relações socio-economicas na Segunda Guerra Mundial março/abril de 1941”. Publicado pelo Grupo de Estudo de Política da America Latina (GEPAL) nos Anais do IV Simpósio Lutas Sociais na América Latina: Imperialismo, nacionalismo e militarismo no século XXI, sob autoria de Carlos Eduardo Boaretto Pereira. Logo no primeiro parágrafo da introdução do artigo Pereira informa o que será desenvolvido ao longo das 10 páginas deste trabalho. Conforme Pereira:

As produções culturais consistem de alguma forma com uma identificação política, econômica, social ou ideológica que seus autores expressam em suas obras suas perspectivas, sonhos e ideais, ou seja, nenhuma obra é pura de intenções. As histórias em quadrinhos, assim como os filmes, novelas, séries de TV, desenhos animados, são produções fictícias, e que na maioria das vezes, trazem elementos da vida cotidiana, política, econômica do momento a qual ela está sendo produzida (PEREIRA, 2010. p 62).

Não posso deixar de citar um livro recentemente publicado, Chamado: “O escudo manchado: um herói em tempo de guerra”, de autoria de Daslei Bandeira formado em Jornalismo. Mesmo que este livro não seja de autoria de um historiador, vale a pena citá-lo pelo fato de ser um estudo, mesmo que breve, das transformações do Capitão América e sua relação com as guerras.

Diante do que fora apresentado acima, está posto que o historiador pode utilizar as HQs como fonte documental, pois estas são pertencentes a um determinado momento histórico, tornando-o, deste modo, um documento a ser analisado pelo historiador, já que neste contém dados em seu enredo que fazem parte do que se viveu no período em questão, isto é, as HQs possuem, em suas páginas, características socioculturais da sociedade que a produz

 

Referencias:

http://www.conteudoseducar.com.br/conteudos/arquivos/3375.pdf, acesso 18/09/2018 as 21:37

CHARTIER, Roger. La construcción estética de La realidad: Vagabundos e pícaros em la Edad Moderna. In: Tiempos Modernos: Revista Electrónica de História Moderna> vol.3, nº7, 2002.

CHARTIER, Roger. Debate. Literatura e História. Topoi, Rio de Janeiro, nº1, pp197-216

BERGSON, Henri. A comicidade de caráter. In:______. O riso: ensaio sobre o significado da comicidade. São Paulo: Martins Fontes, 2001.

GINZBURG, Carlo. Provas e possibilidades à margem de ‘Il retorno de Martin Guerre’, de Natalie Zemon Davis. In: ______. A micro história e outros ensaios. Lisboa: Difel, 1989. p. 179-202.

JUNIOR Ailton da Costa Silva, http://revistas.unilasalle.edu.br/index.php/Dialogo

Canoas, n. 34, 2017

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