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Maus Momentos no Hotel Royale (2018) – Portal Crítica

Um filme bom que merecia mais atenção...

Sinopse:

 

Década de 1960, sete desconhecidos se encontram no El Royale, um hotel degradado perto de Lake Tahoe, Califórnia. Cada um deles tem um segredo obscuro e precisa encontrar redenção durante a noite… antes que tudo vá para o inferno.

 

Crítica:

 

O filme dirigido por Drew Goddard é muito bom! Lembra algo que o Quentin Tarantino dirigiria. Os diálogos naturais e interessantes, a manipulação da tensão, o fato do filme se passar em apenas um local, a montagem dividida em capítulos…

 

No elenco está Jeff Bridges (padre) que entrega uma atuação que ao mesmo tempo que é forte, tem uma enorme fragilidade – é um personagem que pede um forte senso dramático, e o ator entrega isso com uma maestria absurda. Cynthia Erivo (Darlene) está muito bem, não tenho nada a destacar; Dakota Johnson (Emily) ainda não conseguiu se desvincular da sua personagem de Cinquenta Tons de Cinza; Lewis Pullman (Miles) faz bem um personagem que aparentemente não é nada, mas depois se mostra muito mais do que é na superfície; Cailee Spaeny (Rose) está operante, é o tipo de atuação que qualquer um poderia fazer… Jon Hamm (Laramie Sullivan) consegue dar nuances ao seu papel, com pequenos detalhes, seja um aperto de mão, ou seu jeito de se comportar… Chris Hemsworth (Billy Lee) é um que eu me surpreendi, pois pensei que como em outros filmes dele, o ator não conseguiria se libertar de sua imagem como Thor, mas conseguiu! Ele trabalha toda a fisicalidade de seu personagem com uma certa malemolência, é como se ele estivesse drogado o tempo todo – é uma identidade visual que funciona no longa.
A cinematografia do filme é linda, com tons de vermelho, azul, roxo, e em alguns momentos uma fotografia mais saturada para engrandecer um certo personagem. Mas o filme não é perfeito… O ritmo dele é extremamente problemático; já que abre arcos e questões que mereciam serem melhor trabalhadas, como todo o mistério que circula o hotel e seus proprietários. É uma questão que começa a ser bem explorada, mas depois parecem esquecer tudo e mudar o foco da estória, eu não sei se é porque o diretor tem o objetivo de fazer uma continuação, mas pelo menos aqui, isso ficou como algo que pede um fechamento, principalmente porque a obra não dá nenhum gancho para uma possível sequência.

 

A estória da figura do Jon Hamm também pedia um melhor aprofundamento; e as personagens Emily (Dakota Johnson) e Rose (Cailee Spaeny) ficaram com uma brecha na sua narrativa.
Era esperado mais do final. Para melhor exemplificar vamos dividir o terceiro ato em duas partes – a primeira parte é tenso, ótimos diálogos, você fica estático com os acontecimentos, já a segunda parte se estende demais, os diálogos perdem peso e os ocorridos perdem um pouco da identidade Tarantinesca que o filme estava pondo até então.

 

O longa também não sabe o momento de fechar, havia o ponto perfeito para cortar e o filme acabar, mas ele não resiste e estende mais uns dois minutinhos para mostrar o que aconteceu com aqueles personagens, sendo que se você prestou atenção na obra já saberia o que iria acontecer, então é uma cena descartável.
Maus Momentos no Hotel Royale é um filme empolgante, com um pouco da identidade dos filmes do Tarantino, com ótimas atuações e definitivamente vale o seu tempo.

 

Nota: 7,5/10

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