Portal Crítica

Capitã Marvel (2019) – Portal Crítica Sem Spoiler

Um Filme Ruim da Marvel...

Este filme foi baseado nos quadrinhos da Marvel Comics, apesar disso, irei analisar o longa como obra fechada, e sem fazer paralelo com as HQs.

Sinopse:

Carol Danvers (Brie Larson) é uma ex-agente da Força Aérea que quando ganhou poderes e foi viver com a raça alienigena Kree –  perdeu a memória de sua vida na Terra, e agora tenta de toda forma recupera-la. Carol acaba voltando ao seu planeta de origem para impedir uma invasão dos metaformos, cuja raça é denominada Skrull, com a ajuda do agente Nick Fury (Samuel L. Jackson) e da gata Goose.

Crítica:

O filme não é bom! Claro que não é o pior produzido pela Mervel, mas está entre eles. Infelizmente a expectativa para este longa era alta demais, e não chegou nem perto de ser atingida.

Vamos começar a falar pelos pontos positivos, que digo logo, não são muitos… A química entre a personagem da Brie Larson (Carol Danvers / Capitã Marvel) e do Samuel L. Jackson (Nick Fury) é uma das coisas mais divertidas de se acompanhar, o relacionamento deles lembra filmes de políciais dos anos 80 e 90, onde tinhamos duas figuras com personalidades bastante destintas em uma parceria; é fluído, dinamico, e interessante.

A  Lashana Lynch (Maria Rambeau) é muito boa! É a que mais consegue entregar emoção, mesmo o roteiro não dando muito trabalho a ela. A atriz se esforça e transparece mais do que a personagem precisava, ela é mais do que esse filme precisava. O Ben Mendelsohn (Talos) é o que tem o arco mais interessante, não deveria ser, pois ele não é o protagonista, mas por motivos que ainda irei comentar, o personagem termina se destacando mais, e sua atuação não é ofuscada pelo trabalho de maquiagem, que é muito bom – lembra trabalhos feitos em Star Trek

A formula Marvel está presente aqui, porém é feita de forma não linear, ou seja, ja começa o filme com a protagonista poderosa e com um objetivo claro. Atravéz de flashbacks exploramos seu passado junto com a personagem, e de maneira bem pontual, obtemos respostas.

Agora vamos aos problemas…

O filme tem muitas conviniências de roteiro, um exemplo é como a Capitã Marvel foi parar na Terra. Basicamente ela estava caindo e por coincidencia se esborrachou exatamente no nosso planeta, onde estava acontecendo uma infiltração alienigena! Exceto esse exemplo, isso ainda acontece em varios momentos do filme.

Todos os dialogos são terriveis, eles são clichês e familiares – o sentimento é que tudo que foi dito, você ja ouviu em outros filmes, mas o pior é que nunca parece ser natural, principalmente nas cenas em que a Carol Danvers (Brie Larson) revela seus poderes para alguém – nunca é convincente!

Se a quimica entre o Nick Fury e a prontagonista funcionam, não se pode dizer o mesmo da relação entre ela e Maria Rambeau (Lashana Lynch) – as duas são melhores amigas, e jamais isso fica crível. Não se compra a amizade delas, é algo artificial, não existe amizade ali! 

Provavelmente o maior problema do filme seja a Brie Larson, como Capitã Marvel. O tempo todo ela parece estar atuando, não mostra naturalidade – sinceramente, não entendi o motivo de seu mal desempenho, já que ela é uma ótima atriz! Inclusive já ganhou o Oscar… mas aqui ela parece desconfortavel com o papel; suas falas entregam que é um texto memorizado, e raramente ela expressa alguma emoção. A sensação que temos é que ela está de saco cheio – vendo ela assim, o público fica de saco cheio. Primeiro eu pensei que poderia ser problema na direção de atores, mas então percebi que todo o elenco está pelo menos operante, mas a Brie Larson, nem isso.

Outro erro é o Nick Fury, apesar do ator Samuel L. Jackson estar se divertindo com o papel, e compor uma personalidade engraçada – ele não é o Nick Fury que nos foi apresentado nos ultimos 10 anos de Marvel! O personagem está bobo, e apartir do segundo ato, ele se torna um tipo de capacho da Capitã Marvel. Pelo menos o CGI usado para rejuvenesce-lo ficou perfeito, talvez o melhor trabalho da industria com esse tipo de tecnologia até então… Mas a computação gráfica do resto do filme é tenebrosa – a Carol Denvers usando os poderes, principalmente para voar – fica nítido que é só um boneco modelado; no espaço a movimentação fica pior ainda, principalmente no cabelo da personagem.

O feminismo é retratado ridicularmente pelo roteiro! Para comparar eu vou citar o Pantera Negra (onde o tema debatido é o racismo, e a tecnica usada para falar sobre o assunto é jogar na cara do espectador o problema e o mostrar de forma clara e agressiva) e A Forma da Água (que também debate racismo, junto ao machismo e homofobia – esse já trata do assunto de forma mais sutil, esperando que você perceba o erro), as duas obras tem uma coisa em comum. Ambas mantem um estilo narrativo do inicio ao fim. O que não acontece neste novo longa da Marvel. Aqui eles não sabem se manter – em um momento é sutil, em outro é obvio, escrachado e de certa forma, ridiculo! Com direito a frases preguiçosas como: “Você é mulher, nunca vai conseguir”, “Isso é coisa pra homem!”.

Lembra do filme Homem de Ferro (2008)? A cena em que o Tony Stark veste a armadura Mark 2 é empolgante – tudo funciona! A trilha sonora, o movimento de câmera, o CGI, como o personagem é enquadrado… Em Capitã Marvel também tem uma sequência para o traje, mas é triste! Ver o homem formiga encolhendo e chamando insetos é mais emocionante do que a cena do uniforma da Capitã.

Algo interessante é a tentativa da obra de criar expectativas no público e quebra-las com humor. Em Homem Aranha: No Aranha-Verso (2019) acontece a mesma coisa, porém funciona porque conseguem aplicar a imprevisibilidade. Já neste longa, é tudo muito previsivel, você sempre sabe como a cena vai acabar.

Outro problema gravíssimo na obra é a falta de um antagonista de peso, ainda que tenha sim, vilões estabelecidos; em nenhum momento você os teme, ou os entende – afinal, nem motivação eles tem. No término do segundo ato ocorre um plot twist interessante, pena que ele não resolve nenhum dos problemas do filme, na verdade só piora o infortúnio envolvendo os vilões.

As sequencias de ação tem uma direção péssima! Câmera tremida, cortes excessivamente picotados, e planos que nem deveriam existir. O que não entendo é que dentro da própria empresa temos o Guerra Civil; Capitão America 2; e Guerra Infinita – que são longas que dão aulas de como fazer boas cenas de ação. Aparentemente os diretores Ryan Fleck, e Anna Boden não estudaram os outros filmes da Marvel antes de produzir este. Principalmente porque tem um furo no roteiro envolvendo o nome S.H.I.E.L.D

A ambientação dos anos 90 é muito mal desenvolvida, apesar de render poucas piadas funcionais – eles não exploram tão bem a musica, e nem a tecnologia sem parecer brega. Coisa que o irmão de estudio Guardiões da Galáxia fez melhor – e ele propagava os anos 80 e 90 em uma terra quase futuristica.

O filme tem duas cenas pós creditos… a primeira é broxante, e a segunda é só uma piadinha.

Capitã Marvel é um filme que tinha tudo para ser bom, mas não foi. A melhor coisa do longa foi a gatinha Goose, sem ela 80% da graça e entreterimento estariam perdidos – apesar de a gata protagonizar uma cena que eu particurlamente detestei.

Nota: 5,0/10

Etiquetas

Artigos relacionados

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

1
Olá
Podemos ajudar?
Powered by
Fechar

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios