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Bird Box (2018) – Portal Crítica

Um Filme Superestimado...

– Bird Box (2018)

Bird Box é uma adaptação de um livro de mesmo nome lançado em 2014 por Josh Melerman.
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Sinopse: Em um mundo pós-apocalíptico, Malorie (Sandra Bullock) e seus filhos precisam chegar em um refúgio para escapar do Problema (criaturas que ao serem vistas fazem as pessoas quererem se matar). De olhos vendados para não serem afetados, a família segue o curso de um rio para chegar à segurança.
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Crítica:
Com certeza tem muita coisa interessante nesse filme, mas ele também contém vários problemas. Pra começar… É nítida a vontade da diretora Susanne Bier, de tentar pôr todos os elementos do livro no longa metragem. Isso não é bom, apesar de aumentar a fidelidade com a estória original; em um filme de 2horas não dá pra desenvolver tudo que tem em um livro. Um exemplo são todos os personagens secundários – eles são basicamente arquétipos: existe o rabugento, o herói, o engraçadinho, a doce e inocente garota… São personagens completamente caricatos, unidimensionais, eles não tem camadas e desenvolvimento nenhum.

O filme contém coincidências que servem apenas para empurrar a trama; o modo como se inicia o problema é apressado e pouco orgânico; diálogos expositivos; decisões de personagens que são tomadas de forma incoerente, já que não contém nenhuma cena que antecede essas específicas tomadas de decisão; e há uma cena em que a trilha sonora é posta antes do tempo. Mas com essa única exceção, a trilha do filme é sempre pontual e muito bem orquestrada. 

A montagem do filme também é problemática. Eles optaram por contar a estória do presente com diversos flashbacks, isso dá previsibilidade a obra, já que no presente está apenas a Malorie com seus filhos, e nos flashbacks ela está com mais um grupo de pessoas – não é difícil adivinhar o que vai acontecer… A melhor coisa do filme é com certeza a personagem da Sandra Bullock (Malorie), ela dá um show de atuação! Consegue transmitir tristeza, medo, raiva, proteção, desespero… 
E tudo isso ela atua pra dentro, ou seja. A Malorie é uma personagem antipatica e que sempre se fecha para os próprios sentimentos (inclusive há uma ótima metalinguagem sobre isso no início do filme), então ela não pode apenas chorar, mas tem que fazer isso com uma certa resistência, por isso o desempenho da atriz é digno de aplausos. Você acompanha o desenvolvimento dessa personagem como pessoa e como mãe, é um acerto do filme e da atriz, fazer a mudança da personagem acontecer de forma tão gradativa.
Em alguns momentos chave do longa (mais especificamente quando estão vendados), o plano é mudado para primeira pessoa e obriga ao telespectador se sentir na pele dos personagens, e testemunhar como é não poder ver – no presente esses momentos de tensão são críveis e muito bem elaborados, mas nos flashbacks são inúteis, pelo fator da previsibilidade que já citei.
A ameaça é outra coisa elogiável – a obra decide não nos mostrar sua forma, assim fazendo sua imaginação fluir e a tensão aumentar.
Existem alguns elementos do filme que propositalmente não são explorados, o que é bom, pois esses elementos são completamente interpretativos! O longa só te da o suficiente para você pensar sobre o assunto, e isso é outra coisa valorosa.
Bird Box é um filme superestimado, mas ainda assim é uma boa experiência, e vale o seu tempo.
Nota: 6,5/10
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